Apartamentos

Uma alegoria do momento: a janela solitária, isolada, jorra na escuridão o clarão de um lar.

A moldura luminosa arremessada na parede reflete o apartamento, separação e morada simulados nesse esquema. É o afastamento presente – mesmo que a sombra dilatada envolvendo a claridade não consiga conter o brilho que se expande, o lampejo que vai longe.

Podemos imaginar, ao redor, em lugares que a fotografia não chegou a registrar, outras janelas projetadas flutuando em diferentes alturas, separadamente, silenciosos sinais de que ali também há vida.

Nossa solidão, nosso desalento derivam de desconexões, de falta de afinidade, de vínculo, de empatia e também de mais iluminação.

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