Da infância à adolescência, fiz meus estudos em um único colégio, o Instituto Educacional João XXIII, escola avant-garde que tinha como parte de sua filosofia a noção de liberdade com responsabilidade. Dizer apenas isso é dizer pouco mas, ainda mal resumindo, digo que foi, sem dúvida, uma singular e valiosa experiência de vida. Muitas coisas importantes me aconteceram na escola, ou por causa da escola, e uma delas foi ter sido aluno de Flávio Oliveira.

Flávio, mesmo sendo jovem, já era um mestre completo e foi um grande exemplo para nós: culto, correto, instigante, atento, apaixonado fazia de cada aula um acontecimento. Quando bem pequeno, tive classes de música com ele e, mais tarde, de Português e Literatura.

Por ser muito inseguro e um tanto tímido, eu me manifestava pouco, mas mesmo assim acabei recebendo sua atenção e carinho. Creio que foi, sobretudo, por causa dos meus desenhos que ele reparou mais em mim e passou a estimular essa minha vocação, incentivando-me de várias formas. Um dia, me pegou em casa e me levou para conhecer um amigo artista, o Edson (de quem não recordo o sobrenome, infelizmente), que me mostrou seu trabalho e me apresentou o nanquim, tinta negra de origem chinesa (por isso também chamado de tinta china) que eu, evidentemente, desconhecia. Assim, passei a desenhar com a pena, uma ferramenta difícil de se lidar, e por isso mesmo boa para aprimorar a firmeza de traços etc. E foi essa a técnica que passei a usar nas ilustrações que fazia para “A voz do Morro”, o jornal do colégio.

Por esses tempos eu curtia muito a revista MAD que, entre outras coisas, trazia em versão de quadrinhos, paródias de filmes no traço primoroso de Mort Drucker, exímio desenhista. Foi sobretudo influenciado por esses desenhos que eu comecei a conceber caricaturas.

Nessa ilustração de 1976, feita à nanquim quando eu tinha 15 anos, busquei retratar 5 personalidades de nossa escola. Da esquerda para a direita: Malu (Maria Luiza Oliveira, professora de Inglês, outra pessoa muito importante pra mim naqueles anos), Nilse Ostermann (nossa profa. de História, com um livro entre as mãos), um professor que, creio, dava aulas de Física e do qual não me lembro o nome, acho que era Fernando (com um cigarro em uma mão e uma caixa de giz na outra), Flávio Oliveira (que, nessa época, nos dava aulas de Literatura, que no desenho segura um giz) e Mônica Bertoni dos Santos (nossa salvadora profa. de Matemática, portando um caderno).

Há algum tempo, dei esse desenho pro Flávio como uma modestíssima forma de agradecimento por tudo que ele representou e representa pra mim.

Salve a escola que nos recebe…

2 comentários em “”

  1. Dudu, os professores realmente são exemplo, inspiração e os grandes responsáveis por nossa formação. Esta disponibilidade e olhar atento fazem toda diferença. Tua homenagem foi linda, e ter o privilégio de acompanhar a pessoa e profissional que te tornaste deve ser emocionante. Bjs bjs

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